25/12/2007

Novas Conquistas, novos desafios: O Pós Graduação


3 comentários:

nille disse...

Desejo que esta BRAVA GENTE tenha muita LUZ e BOA SORTE na realização deste sonho que é o Pós Graduação. Como teve nos demais cursos, no qual "PEDAGOGIA" tive a honra de me formar. Este novo curso é meu sonho também e de muitas(os) outras(os) educadoras(es). FELIZ ANO NOVO!

LUCIANE disse...

Gurias, algumas pessoas não sabem mas minha formação é Pedagogia, com muito orgulho, sendo que sei a importância da formação para alavancarmos sonhos, que muitas vezes , não sabemos totalmente o que é, e sim vamos seguindo nossas intuições e aprimorando-os.Desejo um ótimo 2008 a todos e parabenizar a atuação da AEEPPA, através do trabalho excelente da Conselheira Nice.
Luciane Escouto-Vice Presidente CMDCA

EDUCAÇÃO POPULAR - UM SONHO POSSÍVEL disse...

Pós Graduação em Educação Popular: Gestão em Movimentos Sociais é sonho coletivo realizado: Aula inaugural entra para história da educação no Brasil


Fernanda dos Santos Paulo

Aos doze dias do mês de abril de dois mil e oito, às nove horas e trinta minutos realizou-se no Plenário, Ana Terra, da Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre, sito à Rua Loureiro da Silva, número 255, a primeira aula Inaugural do curso de Pós-Graduação em Educação Popular: Gestão em Movimentos Sociais. Foi neste dia que mais uma página da história da educação brasileira foi escrita, mas desta vez, está história teve como protagonistas, escritores/as criativos/as e ousados/as ,bem como pesquisadores/as que buscaram pela sua própria formação de forma reflexiva, crítica e ética sendo estes/as, agentes transformadores/as da realidade educacional.
Foi também, nesta manhã, linda e calorosa que a AEPPA ( Associação de Educadores Populares de Porto Alegre) juntamente com o Instituto de desenvolvimento Social BRAVA GENTE deixaram suas marcas não só em Porto Alegre, mas no Brasil, possibilitando a educação continuada às educadoras/es populares que sonham por um mundo mais humano, feliz e ético.Todavia, ter vivido este momento com os nossos parceiros/as foi um prazer, onde lágrimas de felicidade, de realização e de ver e sentir concretamente a possibilidade da realização dos sonhos que nos pareciam impossíveis e que hoje através da luta participativa tornou-se projeto concretizado, ou seja, sonho possível, é conquista de quem faz a educação popular para a emancipação, tornando este momento muito especial para todos/as os/as presentes nesta aula Inaugural.
Para entender o que foi este doze de abril bastava olhar para cada rosto sorrindo ou chorando, cada gesto e cada momento que se ouvia o Brava Gente, a AEPPA, a ATEMPA, o ISEI (Instituto Superior de Educação Ivoti) se pronunciando e nos possibilitando momentos de novas relações e de produções de conhecimentos humanizadores. Quando eu leio o objetivo do curso , percebo-o em cada pessoa que pensou o curso, o que dizia Freire referente a estas iniciativas que segundo ele, estas iniciativas são convites de mudança, onde exige de cada um de nós comprometimento, ética e também a estética, como ações politizadadoras e por isto consciente com as nossas tomadas de decisões. Assim, tudo isto se vê em cada encontro seja na AEPPA, seja com os/as parceiros/as, porque a educação popular exige amor, humildade, trocas, curiosidade, reinvenção, movimento, participação, ousadia, pesquisa, coragem, diálogo e de pessoas BRAVA GENTE, que sonhe junto e faça deste sonho uma história inacabada e de fato, transformadora.
Desta forma, os nossos trabalhos, dias e noites acordadas/os nos projetando para esta realização, foram à prova da nossa capacidade coletiva de criatividade e desafios que tem nos garantido uma educação Popular autônoma, ou na busca de. Neste percurso quem ganha é a educação Porto-alegrense, porque somos nós que discutimos e lutamos contra os mecanismos desta sociedade capitalista e excludente, fazendo valer o sonho participativo de organizações populares que buscam por uma educação para transformação. Aí se firmam mais uma ação de protagonismo social, onde educadoras/es progressistas não apenas lêem a realidade da educação, mas também passeiam por ela , se apropriam e buscam estratégias participativas para compreende - lá e transformá-la.
É assim, que o convênio com as parceiras/os, mais do que isto, amigas/os, o Instituto Brava Gente demonstra que existe no Brasil pessoas que buscam por um modelo de sociedade mais justo, alegre, solidário e digno, onde o amor e o conhecer pelo diálogo entra em sintonia com todas/os educadores/as que sonham o mesmo sonho e que por isto se somam na busca da realização de mais um sonho: quem vem sonhar conosco? Onde encontrar novos sonhadores?
É nestas construções encontramos Bravas Gentes que enxergam e percebem a educação popular de forma legitima de construção de uma nova educação pública e popular, onde as pessoas sejam de fato cidadãos/as livres e conhecedores não só de seus direito, mas também de seus deveres como responsabilidade planetária.
Deste modo, este grande curso vem possibilitar a nossa formação profissional enquanto sonhadoras/es por uma educação voltada para humanização e para uma educação social e popular tornando-se esta, uma ferramenta de trabalho, para que cada um de nós nos mobilize em busca de novos sonhos junto as comunidades, onde educadoras/es, familiares e educandos/as se libertem juntos/as desta sociedade opressora. Sociedade está que busca desvalorizar ações humanas de mudança em função do contexto neoliberal, onde todos os valores de vida digna e solidariedade, que almejamos ter, são desconsiderados.
No dia de hoje, doze de abril, é de fato um marco histórico para Porto Alegre e para as educadoras/es Populares, em que a nossa vida tornou-se mais alegre, significativa, possível e mais justa, porque se possibilitou através do Pós- Graduação mais um desvelamento da realidade vivida, onde a chegada foi difícil, mas não impossível. Paulo Freire em 1985 já colocava que a educação libertadora, ou seja, problematizadora, não deveria ser um ato de depósito (bancaria) e sim, ser uma educação reflexiva, onde, implicasse um movimento continuo e inacabado de desvelamento da realidade. Este desvelar, só se conseguiu com a parceria do outro, com o diálogo e pela sensibilização dos sonhos. A reinvenção destes sonhos e desta educação na perspectiva da parceria democrática e solidária é parte do desvelamento que Freire nos colocava em seus livros, é por isto mesmo, a possibilidade de encontrar meios criativos e conscientes de transformar a realidade com responsabilidade.
O Brava Gente chegou com toda garra e construiu com a AEPPA laços de amizade, afetividade e “camaradagem”, em que a formação permanente tornou-se possibilidade de ir além daquilo que se tem, de fazer relações para a efetivação dos pensamentos de Paulo Freire quando dizia que mudar exige convicção de que a mudança é possível. Em outras palavras cheia de emoção e carinho pela nossa historicidade, somos vencedoras/es que lutamos contra uma sociedade que convive com interesses opostos aquilo que desejamos, mas que estamos a favor de pessoas, muitas pessoas - comunidades e, por conseqüência, contra opressores/as. Assim, estamos envolvidas em espírito coletivo de transformação desta sociedade conservadora, pois enquanto grupo que somos, acreditamos que “Sonhar não é apenas um ato político necessário ”. É também identidade “histórico-social de estar sendo mulheres e homens ”, que na participação briga pela prática libertadora de mudança, pois está prática é sonho, esperança e compreensão da história da educação popular como possibilidade comprometida com outra sociedade, que seja BRAVA GENTE, feliz, amorosa, humana e que respeite as diferenças na igualdade de direitos.
Bom, termino meu texto, no dia de hoje, doze de abril, com esperança e dizendo que é tudo isto, mais um pouco que se deseja para a educação popular brasileira, onde ser BRAVA GENTE é ter como cotidianidade das nossas ações teóricas e práticas a busca constante por novas relações, de cooperação, de superação, de conhecer e acima de tudo de dialogar, escutar e ousar sempre sem medo de lutar pela justiça social, promovendo a troca de conhecimentos, a pesquisa e as relações afetivas de quem acreditam que:
“... educar e educar-se, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem – por isto sabem que sabem algo e podem assim chegar a saber mais – em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada em saber, que pouco sabem, possam igualmente saber mais ( Freire)



REFERÊNCIA:
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
_____________.Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.
_____________.Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 19 ed., 1989.
______________.Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992.
______________.Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993.
______________.Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
http://www.bravagente.org.br/apresentacao.html em 12/04/2008.